21/07/2021 às 18h21min - Atualizada em 21/07/2021 às 18h21min

Cinquenta é meia hora!

Celso, havia acabado de voltar da padaria, chegava em casa revoltado com o valor pago no caixa.

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Celso, havia acabado de voltar da padaria, chegava em casa revoltado com o valor pago no caixa.
 
Dizia ele: sete reais por duas baguetes francesas, e sem gergelim!… Como algo assim pode existir?
 
Sentou-se à mesa, pegou o panfleto do mercado que havia recolhido na manhã anterior, onde estavam relacionados os valores dos legumes e carnes e que compraria, hoje, antes de voltar do trabalho para casa.
 
Pegou a faca de serra e por um momento sentiu-se um cirurgião, pois acabara de fazer um corte super preciso após partir um pedaço de uma das baguetes.
 
Passou manteiga, acrescentou uma fatia finíssima de presunto, encheu sua canequinha de porcelana de café e, ali ficou a se deliciar.
 
Ao terminar seu café, pegou o panfleto do mercado e ao passar os olhos pelo papel, quase saltou da cadeira com o que acabara de ver.
 
Eram preços exorbitantes de falir qualquer carteira recheada.
 
O chuchu estava saindo por R$ 6,99 o Kg, a abobrinha d’água estava R$ 8,95 o Kg e a embalagem contendo duas espigas de milhos verdes a R$ 5,00. Ao virar o panfleto novamente a vontade de um salto lhe ocorreu tamanho foi o susto. Celso não conseguia acreditar nos preços, pensou ser erro de impressão, pois ali ele constatava o acém bovino, preço por Kg R$ 35,99, bife de coxão mole extra limpo, preço por Kg R$ 55,99, contra file (pedaço) R$ 54,99.
 
Amassou o panfleto e o atirou longe, revoltado após tal leitura, pegou novamente mais um gole de café, reparou as baguetes ao lado e recordou longe a sua infância e uma passagem especifica vinha a sua mente. Recordava os pedidos de sua mãe para sair para a compra do pão diário, saía de casa num pulo, comprava o pão e ao retornar sempre parava em um velho fliperama de um bar mais velho ainda, entregava ali o troco e se divertia por alguns minutos.
 
Quando chegava em casa já era questionado por sua demora e pelo troco que nunca o acompanhava.
 
E começava o questionamento da mãe:
- Menino por que você demorou tanto, aposto que já estava naquele bar jogando! E onde está o troco do Pão?
 
Seguia uma contínua ladainha, a qual já estava acostumado, e assim sempre a respondia:
- Mas, mãe, “cinquenta é meia hora!”.
 
Falava isso e se retirava da presença de sua mãe, já sabendo que ela não mais brigaria.
 
Após recordar essa passagem, ajeitou sua gravada e seguiu para a empresa, onde receberia alguns acionistas para uma reunião.
 
A reunião seguia cansativa, com demonstração de gráficos e palestras chatas. Celso não tirava os olhos do relógio.
 
Ao fim da reunião tornou a afrouxar a gravata no pescoço, abriu os botões do terno, passou as mãos nos cabelos os desalinhando e seguiu para casa, porém antes de sair pela porta da frente do centro comercial onde estava escutou um som o qual na hora lhe veio a nostalgia.
 
Logo a sua frente uma loja de jogos eletrônicos o convidava a entrar para jogar uma partida em um velho fliperama que estava próximo à porta.
 
Colocou sua maleta no banquinho e um atendente veio ao seu encontro.
- Pois não, senhor, gostaria de algumas fichas?
- Por favor, qual o valor para poder jogar meia hora?
 
Perguntou por esse tempo, principalmente por ter sido um dia cansativo e queria retornar logo para casa, mas antes queria tentar bater alguns recordes.
Prontamente o atendente o respondeu:
- Cinco reais por meia hora!
- Inaceitável! – respondeu Celso.
 
Onde já se viu o que está acontecendo? Falou um enorme palavrão e em seguida a palavra inflação… pegou sua maleta e se retirou rapidamente dali.
 
Extremamente revoltado desde sua ida à padaria, de manhã, nem chegou a reparar que uma mulher lhe acenava em uma esquina onde a luz era um pouco mais fraca.
 
A mulher insistiu até que Celso voltando, voltando a si, reparou uma mulher alta de mais ou menos 1,75, tirando a altura do salto, que estava a lhe chamar.
 
Aproximou-se devagar reparando o baita mulherão de cabelos longos, uma maquiagem bem presente em sua face, fora o batom extremamente vermelho em sua boca que aparentava uma pitanga bem madura.
 
Chegou bem próximo, ainda meio revoltado com a passagem no centro comercial.
 
Mal chegou e perguntou:
- Olá, senhorita! Deseja alguma coisa?
 
A qual já foi abrindo seu, sobretudo que lhe cobria dos ombros aos pés, apresentando um tomara que caia, já caindo, uma mini, mini, minissaia a qual deixava expostas as coxas grossas e sensuais, joelhos redondinhos e perfeitos e sua calcinha rosa a mostra.
 
Celso observou ser um convite e antes mesmo de abrir a boca, a moça já pronunciava essas palavras:
- Olha garotão, “cinquenta é meia hora!”.
 
Essas palavras o fizeram recordar sua antiga desculpa, o fazendo colocar um largo sorriso no rosto e ir embora gargalhando e feliz.
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