23/10/2020 às 02h27min - Atualizada em 23/10/2020 às 02h27min

Príncipe do Instagram Hytalo Santos. Da Paraíba para o Mundo

No início da sua carreira, ele conta que não teve o apoio de imediato da família, “pois eles acreditaram que a dança não me levaria a lugar algum”, detalha. Além disso, o comentário que escutava em casa era de “dança não era coisa de homem”. Essa visão de seus familiares o levou a trabalhar em outras profissões, mas não era o caminho que ele desejava. A infância em Cajazeiras, interior da Paraíba, foi bem conturbada. Hytalo conta que o pai agredia a mãe e seus irmãos e, por conta disso, “a gente apanhava junto e eu tinha medo de mostrar o meu talento. Além disso, minha mãe era influenciada pelo meu pai. Pior que isso era que meu pai era muito ausente e não se via responsável pela minha educação. Qualquer situação que envolve uma falha em minha educação ele culpava minha mãe por isso”, ele recorda.

As dificuldades romperam os muros de casa quando Hytalo se descobriu homossexual: “Negro, gordinho e homossexual. Com isso sofri muita gordofobia e bullyng na escola”. O resultado disso foi o desenvolvimento de um processo de anorexia, somado à uma profunda depressão: “Eu não conseguia fazer o que eu gostava e a solução foi bater de frente com minha família e com as pessoas que me cercavam para começar a seguir meus sonhos”, lembra.

Anos depois, Hytalo começou a conciliar as aulas na faculdade na área de educação e as aulas de dança que dava em uma praça em sua cidade: “Minha família queria que eu fizesse alguma faculdade, aí eu conseguia misturar o lado acadêmico com a dança. Só que ainda assim eles não apoiaram o lado da dança”, ele recorda. Apesar de viver em uma cidade repleta de preconceitos, Hytalo detalha que o salário recebido era usado para gravar vídeos para ensinar coreografias às suas alunas, “com isso elas já chegavam nas aulas sabendo as danças”. O reconhecimento começou ali, quando começou a fazer sucesso nas redes sociais. A gravação destes materiais foram evoluindo, se transformaram em entretenimento, que levaram o dançarino a fazer sucesso e estar em evidências nos dias atuais: “Hoje eu componho, danço, atuo, modelo, enfim, sou um artista completo”.

Mesmo com o sucesso começando, Hytalo ainda enfrentou barreiras dentro de sua cidade natal: “As pessoas não me convidavam para ir à outros estados, minha cidade também não tem aeroporto, então muitos achavam que eu não ia conseguir sair dali para apresentar em outros lugares”, ele recorda. A perseguição foi tanta que, ele ressalta, teve suas redes sociais tiradas do ar por cinco vezes: “Acredito que houve um excesso de denúncias. O Instagram tira a rede do ar para analisar o conteúdo, e ao ver que não tem problemas, a conta acaba voltando ao normal. Atualmente, não conheço outras pessoas que teve a conta desativada e reativada tantas vezes como eu”.

Mesmo com essa adversidade no meio digital, o sucesso já estava sorrindo para Hytalo. Em uma das vezes que sua conta nas redes sociais saiu do ar, ele já possuía 100 mil seguidores. Ao retornar, em menos de um dia já tinha atingido mais de 400 mil pessoas já estavam o acompanhando. Enquanto isso, pensando em fazer uma ação social, foi quando ele decidiu doar uma de suas contas que chegou a um milhão de seguidores à uma instituição de caridade: “Quero fazer o bem de alguma maneira diferente. A escolha da instituição vai ser feita junto com o meu público. Vou colocar alguns nomes para votação e o público é quem vai escolher quem vai ser a agraciada. Como o público me ajudou a crescer, nada mais justo do que eles recebam quem vai receber esta ajuda”, afirma.

Agora, saindo da Paraíba e fazendo sucesso também em São Paulo, Hytalo está animado e confiante para desbravar novos caminhos em sua carreira: “Eu não sei ficar no comodismo de só dançar, ou só fazer isso ou aquilo. Gosto de misturar tudo, então vou lançar muita música, ensinar as pessoas como aprendi em minha carreira, também tenho projetos de lançar roupas com uma marca com meu nome”. Além disso, ele deseja “influenciar pessoas para as conscientizar de questões sociais importantes, além de ajudar umas as outras. Quero levar coisas boas e espalhar isso, pois de coisas ruins o mundo já está cheio”, comenta.

Nesta reta final de um ano tão difícil para todos, seu otimismo é evidente quando idealiza o futuro: “Nesses dois meses que faltam em 2020 e nos próximos anos vocês ainda vão ouvir falar muito de mim ainda”, finaliza.


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