07/08/2018 às 01h54min - Atualizada em 07/08/2018 às 01h54min

Secretaria da Saúde leva medicamentos para conter surto de malária na Região Norte

Vitoria (ES) - A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) levou neste sábado (04) para Vila Pavão, na Região Norte do Espírito Santo, 3.040 comprimidos e 1.199 frascos de medicamentos injetáveis para o tratamento dos pacientes com malária.

Os insumos foram enviados pelo Ministério da Saúde e, assim que chegaram, foram encaminhados de helicóptero para o município para tratar os pacientes de lá e do entorno que tiveram diagnóstico positivo para a doença. Até o momento, há 36 casos confirmados de malária na região. Dentre eles há um óbito e um paciente internado. Os demais estão sendo acompanhados em casa.

Em entrevista coletiva concedida na tarde deste sábado (04), o secretário de Estado da Saúde, Ricardo de Oliveira, esclareceu que o Estado está realizando uma ação conjunta com municípios do Norte do Espírito Santo para controlar e combater o surto de malária em Vila Pavão. “Na quarta-feira tivemos a notícia desse surto e,  na quinta, uma equipe da Secretaria de Estado da Saúde, mais uma equipe da nossa Superintendência Regional no Norte e a equipe dos municípios ali do entorno de Vila Pavão já estavam trabalhando lá com os profissionais em campo e protegendo a população. Então, as pessoas com diagnóstico positivo já estão sendo medicadas. Infelizmente, tivemos um óbito, mas a reação foi tão rápida que depois que nós chegamos lá e começamos a tratar as pessoas não tivemos mais óbitos”, detalhou Oliveira. O secretário ressaltou que a expectativa é de que o surto fique efetivamente restrito àquele território. “Não temos nenhum motivo, até agora, pra achar que esse surto de malária, que tem como centro Vila Pavão, seja um surto que se espalhe pelo Estado. Pelo contrário, não há nenhum motivo de pânico para a população”, enfatizou Oliveira. O secretário explicou que a equipe trabalha com a hipótese de que alguém infectado chegou àquela região, porque o parasita da malária que foi encontrado nas amostras de sangue dos pacientes  não existe no Espírito Santo. “Tem na região amazônica, no Norte do país. Nós  estamos pesquisando para saber qual foi o caso que originou a transmissão, mas tudo indica que é um parasita trazido por alguém que veio de fora do Estado”, acrescentou o secretário de Estado da Saúde. Na recepção aos medicamentos em Vila Pavão, neste sábado(04), o secretário de Saúde do município, Cláudio da Cruz Oliveira, salientou que o trabalho feito durante a semana já está gerando resultado, e isso pode ser percebido no percentual de casos positivos, que têm diminuído. “Logo no início, o índice de lâminas contaminadas estava em  95%. Hoje a positividade já está reduzindo. Estamos vendo o resultado do trabalho que temos feito”, comentou o secretário municipal. Cláudio disse que uma equipe está presente nas localidades com mais casos  de malária registrados, que são Conceição do 15 e Praça Rica. A equipe está realizando o bloqueio  aplicando inseticida dentro e fora das casas. “Hoje foi o fumacê também. Queremos incentivar a população a cuidar dos quintais e que as pessoas vejam a nossa atitude de urgência contra a malária, "detalhou o secretário de Saúde de Vila Pavão.  Malária
A doença é causada por parasitas do gênero Plasmodium, que são transmitidos ao homem pela picada da fêmea infectada do mosquito Anopheles. Medidas
Na quinta-feira (02), a Secretaria de Estado da Saúde enviou profissionais do Núcleo Especial de Vigilância Epidemiológica, do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS), do Núcleo de Entomologia e Malacologia e do Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo (Lacen-ES) para dar apoio à equipe da Superintendência Regional de Saúde e aos municípios envolvidos nas ações de controle e combate ao surto. Um médico e pesquisador da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) também esteve no local e está dando suporte. Frentes de trabalho Foram abertas várias frentes de trabalho: busca ativa de pessoas com sintomas de malária em Vila Pavão e em territórios do entorno; capacitação das equipes da Atenção Primária à Saúde para diagnóstico precoce e tratamento da doença e também para realização de bloqueio com borrifação de inseticida casa a casa e na área perifocal; orientação aos profissionais e investigação de casos no Hospital Estadual Alceu Melgaço Filho, em Barra de São Francisco, e no Hospital São Marcos, em Nova Venécia; captura de mosquitos para verificar que espécie do parasita causador da malária está em circulação no local; análise laboratorial para diagnóstico da doença; tratamento dos pacientes com diagnóstico positivo para malária; distribuição de repelentes, repassados pelo Ministério da Saúde, para que a população da região afetada possa se prevenir contra a picada do mosquito; monitoramento e investigação dos casos para avaliar a forma como a doença está se desencadeando na região e para identificar a primeira pessoa que adoeceu, de forma que seja possível descobrir como o surto teve início. A equipe já identificou que o parasita presente nos casos diagnosticados é o Plasmodium falciparum, uma espécie mais agressiva do que as demais e que não é encontrada no Espírito Santo. Por isso, a hipótese mais provável considerada pelos profissionais envolvidos na investigação é de que os casos tenham sido originados a partir de um caso importado, possivelmente do Norte do país, onde a malária é endêmica. No Brasil, de forma geral, o Plasmodium vivax é o causador mais comum da malária. Alerta A maioria dos casos de malária se concentra na região amazônica (Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins), área endêmica da doença. No Espírito Santo, deve-se suspeitar de malária quando o paciente está com febre e esteve em alguma região, no Brasil ou no exterior, com transmissão de malária; nos moradores ou visitantes de áreas rurais onde existe Mata Atlântica; e ainda em pessoas que moram em áreas rurais no Norte do Estado e apresentem doença febril sem causa aparente, pois nesta região ocorre um fluxo migratório contínuo de pessoas da região amazônica. A Sesa alerta os serviços de saúde de todo o estado para que fiquem atentos a pacientes que busquem atendimento apresentando sintomas indicativos de malária. A doença começa com febre e fraqueza e se desenvolve com dor de cabeça, dor no corpo, calafrios, acompanhados por dor abdominal, dor nas costas, tontura, náuseas e vômitos. Nestes casos, os profissionais de saúde devem questionar o paciente se ele esteve no município de Vila Pavão recentemente (ou em alguma área de transmissão da doença) ou se entrou em contato com alguém que reside ou que esteve na localidade. Para a população, a orientação é buscar atendimento imediatamente se começar a apresentar um destes sintomas. Saiba mais A malária pode evoluir para forma grave e até para óbito, mas a doença tem cura se for tratada em tempo oportuno e adequadamente. Os sintomas da malária não aparecem de imediato. Eles surgem depois de transcorrido o período de incubação, que é o tempo compreendido entre a penetração do parasita no organismo e o aparecimento dos primeiros sintomas – o que pode levar de 7 a 14 dias, em média, podendo chegar até 60 dias. Após esse período, a pessoa começa a sentir os sintomas. O tratamento é feito com remédios e dura de dois a sete dias. Não há vacina contra malária, mas existem várias medidas de proteção individual que podem ser adotadas pela população para reduzir a possibilidade da picada do mosquito transmissor da doença, como usar repelente; usar cortinados e mosquiteiros; usar telas em portas e janelas; evitar frequentar locais próximos a criadouros naturais de mosquitos, como beira de rio ou áreas alagadas ao final da tarde até o amanhecer; usar calças e camisas de mangas compridas e cores claras.

Secretaria de Estado da Saúde (Sesa)


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